11.4.11

#4


   Uns caminham no tempo, passo a passo, entre a escuridão imensa de um sentimento incerto. Outros libertam leves caminhadas em direcções contrárias, impulsos indiscretos. Ainda vejo quem se movimente silenciosamente a passos largos para uma gravidade estranha, para um objectivo comum de chegar ao fim do nada. Finalmente vejo um “alguém” a caminhar em direcção a mim numa superfície espelhada, encontro a calma e a sensibilidade de mãos dadas, distribuindo as suas forças aos mais fracos. Depois falto eu, um mero suspiro descreve-me, um mero olhar repreende-me por não ser um dos tantos que para ali caminham. A minha mente está cansada, o meu coração diz-me silenciosamente para me manter quieta, mais vale ficar sossegada do que imitá-los desesperadamente. Sinto-me como uma folha dependente do vento para me mover. Apenas espero que alguém tenha a capacidade de ser o ar que me faz andar. Mas nada. Ninguém me liga, ninguém se preocupa e um vazio preenche o meu coração. Faltam-me as forças, já nem me faz falta o básico, raramente sonho com o perfeito, quanto muito com o extraordinário e o impossível. Salto de barreira em barreira, nem sei explicar como o faço, não tenho consciência. Uma montanha teima em dividir-nos. Não sei até que ponto isso me faz feliz. Gostava de te ter, de te ver, até de te sentir. Já nada tem a importância concreta, já nada me faz chorar ou até sorrir. Paralisei no tempo, no mundo e no olhar. Apenas sei que gosto de estar contigo, mas isso não me basta. Queria perguntar tantas coisas antes de partir, queria responder a tantas dúvidas tuas antes de voltares a fugir. Gostava de voltar a viver cada momento, voltar a sonhar com a simplicidade com que as crianças brincam. Eu juro que gostava de voltar a brincar sem pensar no que poderia estar certo ou errado. Sentir aquele medo do escuro como se um monstro pudesse voltar a entrar pela porta, destruindo o meu sonho de princesa. Juro que amava sentir a tua pele com uma mão pequenina e dizer-te que és para mim muito especial, nem digo um confidente porque os pequeninos não têm segredos, diria talvez que nunca te queria perder, que eras para sempre importante na minha vida, o meu desejo, o meu medo até. Dizer-te-ia que o mundo pode dar muitas voltas, que até podes falar mal ou nem sequer te interessar, que podes virar costas e ir embora, que até me podes dizer “ adeus “ ou mesmo aquele “hasta”, mas a ti nunca te esquecerei, não por te amar, mas por seres especial.

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