26.5.11

M de Medo*


Medo de amar? Parece absurdo, com tantos outros medos que temos que enfrentar: medo da violência, medo da morte, e a não menos temida solidão, que é o que nos faz buscar relacionamentos. Mas absurdo ou não, o medo de amar se instala entre as nossas veias e a nós sabemos por quê.
O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba. Rasga-nos por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até à virilha. O amor encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atracção, sei lá, não interessa o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável. Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto. Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático. Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, acabar um amor não é brincadeira nenhuma, é algo de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afecto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade. E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fractura exposta, ficamos doentes em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. Sem o amor, nada resta, a confiança se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar. Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim. Um novo amor? Nem pensar. Medo, respondemos. Que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência mas sabendo que para sempre é impossível recusá-lo. O dificl é só mesmo conseguirmos amar de novo, com a mesma intensidade com que já amamos uma outra pessoa. Isso, meus amores, isso é impossivel.

6 comentários:

Bruno Alves disse...

Muito obrigado! Eu escrevo bem, sim. Tu escreves imensamente bem ;D

- disse...

Lindo ^^

Também sigo :)

anna disse...

vou ter, obrigada * (:

anna disse...

dizes-me o nome da musica querida? amei *.*

Samarav disse...

adorei.
"ada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim" acredito tanto nisso.

Marta disse...

adoro :o